10 de Junho de 2009
Tá ligado?
Escrever num blog? Se depender do Twitter-tsunami... quem ainda se importa? Afinal, qualquer coisa com mais de 140 caracteres é igual TV com bunda e válvula. Hoje, ser up to date é ser curto e grosso, pá, mas acima de tudo, atualizado em minutos, pá. Varejo de idéia, valeu? E sem lirismo, que é coisa de veado e velha. Metáfora é coisa de metalúrgico que virou presidente e descrição... lixo igual bula, tá ligado? Se eu quiser visualizar, mermão, eu gravo na minha digital e depois ãpiloudo no Youtube, valew? 100 essa d texto cabessa, pá. Fui.
30 de Abril de 2009
Primeiras páginas do mundo
Link de utilidade pública:
TODAS AS PRIMEIRAS PÁGINAS DO MUNDO
http://www.newseum.org/todaysfrontpages/flash/
Jornais dos quatro cantos do globo!
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28 de Abril de 2009
22 de Abril de 2009
Sabor premium
Passamos a meia-noite num café na Oscar Freire. Eu a beijei e dei parabéns pelo aniversário, numa comemoração totalmente improvisada. Na verdade, deveríamos estar na festa de encerramento das gravações da sitcom que escrevi, só que o local era junkie demais – sabe festa estranha com gente esquisita? Sou ragazzo de famiglia demais, moldado no esquema clube-cinema-televisão e não agüentei mais de cinco minutos naquela fila que desembocava numa drag vestida de Amy Winehouse. Eu estava tão embaraçado ao ver minha mulher, rosada e bochechuda ao meu lado, que logo pedi meu carro de volta. Às favas o dinheiro do vallet!
Então a escolha do café na Oscar Freire foi certa, me resgataria do underground de volta ao topo do mainstream paulistano. Noves fora – já que não gosto nem do porão nem do sótão social -, voltaria à minha zona de conforto. Sentamos no Santo Grão para tomar algo não alcoólico e ao vasculhar o cardápio, optei pela mais vip das escolhas.
__ Vinte e cinco reais o expresso? Perguntei à garçonete, que sorriu ensaiado, dizendo que o sabor premium do café Kopi Luak era percebido pelas línguas afiadas do mundo gourmet. Quer saber? Vou experimentar, disse confiante, mesmo ciente de que nem percebo falta de sal em arroz papinha.
__ Nós fornecemos certificado, o senhor quer?
Certificado de que tomei um expresso? Gente louca, quem gostaria de guardar um certificado desses? Então respondi:
__ Claro que quero!
Para quem ainda não sabe, o café Kopi Luak é aquele que percorre obscuros caminhos intestinais antes de vir parar na nossa boca. As enzimas digestivas do passarinho tiram a acidez do grão e... Tudo é explicadinho de forma a fazer com que você acredite ser lógico e aceitável alguém ter bulido em montinhos de cocô para te cobrar caro por isso.
A garçonete perguntou se eu não queria acompanhar o processo. Eu não entendi o porquê, mas minha mulher sacou que devia ser para evitar falsas coagens. Hã? Claro, afinal, no Brasil, seria possível tratar-se de um café qualquer, quando muito digerido por pombas. Mas não fui verificar, tamanha a preguiça que me atou à cadeira. Confiança, a meu ver, faz parte de qualquer processo. Esperei pela demorada coagem e quando a xícara chegou, trazendo junto de si um saquinho prateado, pouco me importei com os certificados. Fui logo provar e...
__ Parece o café da Chiquinha.
A Chiquinha ficaria orgulhosa. Era a funcionária de um bar-boteco-restaurante que eu e minha mulher freqüentávamos na época de estudantes. A Chiquinha era caolha, não sabíamos quem ela cumprimentava, tanto que todos dávamos bom-dia ao mesmo tempo. Um olho era de vidro, mas o outro tirava um expresso como ninguém.
__ É? Deixa eu ver – disse a minha esposa, puxando a xícara para si - Uhnnnnn...
__ Uhn o quê? Tá sentindo alguma coisa de diferente?
__ Não. Parece o café da Chiquinha mesmo.
__ Joguei fora vinte e cinco reais.
__ Não fica assim. Hoje eu perdi cinqüenta reais enquanto andava na rua.
__ Você não ficou chateada?
__ Não, não fiquei. Era dinheiro teu - e ela sorriu safada, como só uma mulher, tirando sarro do marido, consegue. Ela me fez esquecer todas as expectativas frustradas daquela noite, rimos juntos. E ao final, vi que sei SIM perceber sabores premium. Mas das coisas que importam na vida.
Então a escolha do café na Oscar Freire foi certa, me resgataria do underground de volta ao topo do mainstream paulistano. Noves fora – já que não gosto nem do porão nem do sótão social -, voltaria à minha zona de conforto. Sentamos no Santo Grão para tomar algo não alcoólico e ao vasculhar o cardápio, optei pela mais vip das escolhas.__ Vinte e cinco reais o expresso? Perguntei à garçonete, que sorriu ensaiado, dizendo que o sabor premium do café Kopi Luak era percebido pelas línguas afiadas do mundo gourmet. Quer saber? Vou experimentar, disse confiante, mesmo ciente de que nem percebo falta de sal em arroz papinha.
__ Nós fornecemos certificado, o senhor quer?
Certificado de que tomei um expresso? Gente louca, quem gostaria de guardar um certificado desses? Então respondi:
__ Claro que quero!
Para quem ainda não sabe, o café Kopi Luak é aquele que percorre obscuros caminhos intestinais antes de vir parar na nossa boca. As enzimas digestivas do passarinho tiram a acidez do grão e... Tudo é explicadinho de forma a fazer com que você acredite ser lógico e aceitável alguém ter bulido em montinhos de cocô para te cobrar caro por isso.
A garçonete perguntou se eu não queria acompanhar o processo. Eu não entendi o porquê, mas minha mulher sacou que devia ser para evitar falsas coagens. Hã? Claro, afinal, no Brasil, seria possível tratar-se de um café qualquer, quando muito digerido por pombas. Mas não fui verificar, tamanha a preguiça que me atou à cadeira. Confiança, a meu ver, faz parte de qualquer processo. Esperei pela demorada coagem e quando a xícara chegou, trazendo junto de si um saquinho prateado, pouco me importei com os certificados. Fui logo provar e...
__ Parece o café da Chiquinha.
A Chiquinha ficaria orgulhosa. Era a funcionária de um bar-boteco-restaurante que eu e minha mulher freqüentávamos na época de estudantes. A Chiquinha era caolha, não sabíamos quem ela cumprimentava, tanto que todos dávamos bom-dia ao mesmo tempo. Um olho era de vidro, mas o outro tirava um expresso como ninguém.
__ É? Deixa eu ver – disse a minha esposa, puxando a xícara para si - Uhnnnnn...
__ Uhn o quê? Tá sentindo alguma coisa de diferente?
__ Não. Parece o café da Chiquinha mesmo.
__ Joguei fora vinte e cinco reais.
__ Não fica assim. Hoje eu perdi cinqüenta reais enquanto andava na rua.
__ Você não ficou chateada?
__ Não, não fiquei. Era dinheiro teu - e ela sorriu safada, como só uma mulher, tirando sarro do marido, consegue. Ela me fez esquecer todas as expectativas frustradas daquela noite, rimos juntos. E ao final, vi que sei SIM perceber sabores premium. Mas das coisas que importam na vida.
15 de Abril de 2009
Sitcom "100 maneiras"
Rapaziada,no link abaixo vocês vão encontrar um tira-gosto da sitcom que eu escrevo. Ela se chama "100 maneiras", e passa na TV Ideal (Canais Abril), canal #70 da TVA.
Esse tira-gosto é do 7º episódio da 4a. Temporada, já de minha autoria, em parceria com Carlinha França.
TAG do Episódio 407 - "Unidos Venderemos":
16 de Março de 2009
O encontro
A erva que Sátiro lhe ofereceu era orgânica, cultivada num fundo de quintal. Bastou duas tragadas para que Eros começasse a ver as asas das pessoas. Algumas eram angelicais, outras de morcego, acompanhadas por rabos e pequenos chifres. Outras tinham penas cinzas, entremeadas a pêlos pretos e cuja textura irregular repugnava. Sátiro tutorava Eros e tentava conferir significado à sua visão. Uma asa é a inteligência, outra o emocional, por isso nem todos as têm do mesmo tamanho e cor, mas são desproporcinoais e arqueadas. Com tamanho desequilíbrio, jamais alçarão vôo. Mas te garanto, Eros, que todos as têm aos pares.
Eros não gostou do que viu. Só foi relaxar ao notar que alguns poucos as tinham brancas e limpas, harmônicas e vivas, ainda que pequeninas. Como anjos? Talvez, disse o Sátiro. Era a mulher dos doces, o idoso atrás da peteca, o hippie vendendo contas. Anjos de verdade estão em qualquer lugar, sutileza lhes é primordial.Foi então que ela resplandeceu. Bela moça, asas multicoloridas como prisma sob o Sol. Não eram penas, não eram pêlos, mas duas lindas e singulares asas de borboleta. Eis Psique, única e resplandecente. O mundo convergia para sua existência, bem como o coração do jovem Eros.
Eros não gostou do que viu. Só foi relaxar ao notar que alguns poucos as tinham brancas e limpas, harmônicas e vivas, ainda que pequeninas. Como anjos? Talvez, disse o Sátiro. Era a mulher dos doces, o idoso atrás da peteca, o hippie vendendo contas. Anjos de verdade estão em qualquer lugar, sutileza lhes é primordial.Foi então que ela resplandeceu. Bela moça, asas multicoloridas como prisma sob o Sol. Não eram penas, não eram pêlos, mas duas lindas e singulares asas de borboleta. Eis Psique, única e resplandecente. O mundo convergia para sua existência, bem como o coração do jovem Eros.
29 de Dezembro de 2008
If you believe in fairies
Promoção de última hora, me tornei Papai Noel. Recebi o cetro do meu irmão que, com recém-nascido no colo, não queria enfrentar troca de roupas e suor pingando na barba postiça. Envelheci com rugas de corretivo e lápis marrom, recheei o estômago com almofadas e até usei lentes de contato verdes – as azuis eram mais caras...O resultado não poderia ter sido melhor:
__ Nossa, o Papai Noel parece o tio Leonardo!
Santa ingenuidade... a minha. Os sobrinhos mais velhos socorreram rápido.
__ Nããão, o tio Leonardo está lá atrás, na varanda!
__ O Papai Noel tem olhos verdes, é velhinho...
Apenas com essa força conjunta, verdadeiro “complô para manter a ilusão”, conseguimos mais um ano de fantasia. Para reforçar, fiz uma foto-montagem em que estou lado a lado com o Papai Noel. A prova visual ajudou na sobrevida da lenda:
__ Ah... O Papai Noel não é o tio Leonardo, ele é bem mais velhinho...
Suspiramos aliviados.
__ Mas que parece o Tio Leonardo, parece.
Pois é, parece. Mas não é.
Não é!
If you believe in fairies... clap your hands! Hoje em dia, os primeiros a bater palma são os adultos.
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